segunda-feira, 30 de junho de 2014

Céu Azul

Cartão postal, 1928 - Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973) - óleo sobre tela,  127 x 42 cm

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Céu azul de minha terra,
de minha terra natal
que eu amo e estremeço tanto…
Com tua beleza e encanto,
que tanta grandeza encerra,
não há no mundo outro igual!
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Céu azul de minha terra,
da terra de Santa Cruz
que a alma estrangeira encanta,
onde o Cruzeiro do Sul,
como um diadema de luz,
é uma bênção sacrossanta!
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E ao ver este céu sem par
– azul da cor da pureza,
tão cehios de encantos mil
que nenhum outro suplanta,
– a gente fica a cismar:
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Com certeza
o manto da Virgem Santa
foi talhado de um retalho
do lindo céu do Brasil!


Roberto de Almeida Júnior

domingo, 29 de junho de 2014

Abaporu

Abaporu - 1928
Tarsila do Amaral

Abaporu é uma clássica pintura do modernismo brasileiro, da artista Tarsila do Amaral. O nome da obra é de origem tupi-guarani que significa "homem que come gente" (canibal ou antropófago), uma junção dos termos aba (homem), pora (gente) e ú (comer).

A tela foi pintada por Tarsila em 1928 e oferecida ao seu marido, o escritor Oswald de Andrade. Os elementos que constam da tela, especialmente a inusitada figura, despertaram em Oswald a ideia de criação do Movimento Antropofágico. O Movimento consistia na deglutição da cultura estrangeira, incorporando-a na realidade brasileira para dar origem a uma nova cultura transformada, moderna e representativa da nossa cultura.

O quadro Abaporu foi vendido no ano de 1995 para o argentino Eduardo Constantini por 1,5 milhões de dólares e encontra-se exposto no MALBA (Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires).

Em Março de 2011, o Abaporu foi emprestado pelo MALBA para integrar a exposição "Mulheres Artistas e brasileiras", no Palácio do Planalto, que reuniu 80 obras do século XX pertencentes a 49 artistas mulheres do Brasil. Esta iniciativa consistiu em uma homenagem ao mês da mulher.

sábado, 28 de junho de 2014

Minha terra


Todos cantam sua terra
Também vou cantar a minha
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha.
– Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.
-
Correi pras bandas do sul:
Debaixo de um céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil.
– É uma terra de amores,
Alcatifada de flores,
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de abril.
-
Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal,
Que nem as sonha o poeta
E nem as canta um mortal!
– É uma terra encantada
– Mimoso jardim de fada –
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.                                                                                                             

Casimiro de Abreu
Paisagem com touro, 1925 Tarsila do Amaral
( Brasil, 1886 – 1973)
óleo sobre tela, 52 x 65 cm Coleção Particular
 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Pintor e o Modelo

O Pintor e o Modelo
Hilário Teixeira Lopes
Acrílico sobre tela
150 x 200 - (2008)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O Mamoeiro


O Mamoeiro - 1925
Tarsila do Amaral (1886-1973)
gravura em serigrafia

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Datilografia

Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,
Firmo o projeto, aqui isolado,
Remoto até de quem eu sou.
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Que náusea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.
Outrora.
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão.
Na outra não há caixões, nem mortes,
Há só ilustrações de infância:
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler;
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.
Na outra somos nós,
Na outra vivemos;
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer;
Neste momento, pela náusea, vivo na outra ...
Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.


Álvaro de Campos

terça-feira, 24 de junho de 2014

Borba gato e os Diamantes

Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879)
Tropeiro Paulista, 1827, ost
“Eu vou buscar diamantes”.
Foi quanto disse e já montou no rio
pôs mantimentos na garupa
levou o bugre pela frente
atrás do bugre o mameluco.

Montou no rio, então o rio 

 Logo desceu da cabeceira…
foi resmungando mas desenrolando
o corpo azul numa porção de voltas mato a dentro à semelhança de uma cobra muito grande que roncasse
e que passasse sacudindo
o rabo da cachoeira.

E levou na cacunda
em redemoinhos de água barafunda
uma porção de gente
armada de trabuco.
Formaram-se de pronto
alas de jacarés abrindo
a todo instante
a bocarra vermelha
no escurão do tijuco.

“Eu vou buscar diamantes”.
E armou seu barracão de couro
a quatrocentas léguas da partida.

Tudo correu, tudo saiu gritando!
Só porque um homem
chamado Borba Gato
armado de trabuco
entrou no mato…

Cassiano Ricardo
Do livro: Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, para a 3ª série do curso primário, de Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954 Cassiano Ricardo Leite (SP 1895 – RJ 1974), jornalista, poeta e ensaísta